Uma tarde normal, era aniversário de 8 anos do pequeno Martin. Sua mãe corria de um lado pro outro para arrumar tudo, seu pai não estava em casa, teve que ir ao trabalho resolver alguns problemas, mas prometeu que iria ser rápido.
Martin estava em frente a televisão, borbulhando de angustia, esperando todos chegarem a sua casa, mal conseguia ficar assistindo a um canal por muito tempo, a cada cinco minutos trocava de canal. Enquanto “zapiava” ouvi um carro parar na frente de sua casa, esperançoso correu para porta para ver se era seu pai que tinha chego, se enganou, porém, ficou igualmente feliz ao ver que era seu Tio, o biólogo André, carregando com as duas mãos uma caixa toda furada. O tio entrou em casa
- Parabéns Martin, muitas felicidades para você e que grandes aventuras apareçam na sua vida!
- Brigado tio! Tio, o que é isso na sua mão?
- Seu presente, uma surpresa, vá para o quarto que eu já vou chegar lá!
O garoto subiu correndo a escada para o quarto. Sua imaginação viajou em idéias do que poderia ter dentro da caixa, “ uma cobra, um filhote de elefante, um cachorro?”, “AHH, uma aranha!!”. No quarto ficou elétrico esperando o tio e continuo viajando “um camaleão, camaleões são legais eles mudam de cor”. Só voltou de sua viagem quando ouvi a maçaneta da porta se abrir, era o Tio e sua “caixa surpresa”.
- Martin, tenho aqui seu presente, ele muito especial e extremamente divertido, só cuide que no começo ele pode ser um pouco chato.
Os olhos lacrimejaram, o sorriso foi de orelha a orelha.
- Mostra tio, mostra!
- Então tá. Apresento para você o pequeno Turt.
Martin sentiu seu rosto contrair, sair da euforia para o espanto, não sabia o que era aquilo, parecia mais um rato, só que maior! Ele olhou para o tio com uma cara de espanto e perguntou:
- O-o q-que é isso?
Para maior espanto e ainda maior surpresa, não foi o tio quem respondeu
- Olhaaquiopiádocabelolambidosouumafuinha!!!!!
-Isso é jeito de falar com meu sobrinho Turt.
-TáAndréfoimalmasvocênãoensinanadaaoseusobrinho?
Aqueles olhos castanhos, de Martin, ficaram estáticos olhando Turt, enquanto ele, uma fuinha, ficava falando com o tio André.
-Bom, vou deixar vocês dois conversando um pouco já volto.
O único problema é que Turt falava muito ligeiro
-TáokolágarotosouTurtesouumafuinhanãosouumratonemumalontra.
-Desculpa, mas não entendo nada o que você esta falando.
-Ébomvocêirseacustumandopoissouhiperativoporadorarchocolateecafeína!
O garoto caiu na gargalhada quando ouviu “adorar” e “cafeína” na mesma frase, ainda mais sendo faladas por uma fuinha.
Após horas de conversa, os dois desceram para o quintal, Turt já no ombro de Martin, para comemorar seu aniversário. Todos estavam lá seus primos, o Tio André, seus outros tios e tias todo mundo, sua mãe ainda correndo de um lado para o outro, mas faltava alguém o pai de Martin. Quando viu que seu pai ainda não tinha chegado o pequeno garoto de cabelos loiros, ficou cabisbaixo, começou a comprimentar todos e receber mais e mais presentes, mas mesmo assim estava triste. A Festa corria bem, Turt fazia piruetas para alegrar Martin, o que o fez até esquecer a falta do pai por alguns instantes.
- Hora do bolo!! Gritou a mãe de Martin saindo da cozinha.
O bolo era gigante, tinha chocolate em cima, em baixo, do lado, escorrendo no canto, branco, preto, não sabiam o quanto de chocolate havia naquele bolo. Quando sua mãe botou o bolo sobre a mesa, Martin notou algo estranho em Turt, ele estava parado, de pé, com a cabeça erguida, pareceia cheirar alguma coisa. Quando a mente de Martin se ligou era tarde demais, Turt já estava correndo igual a um louco pra cima do bolo.
-CHOCOLATEEEEEEEEEEE!
Todos ouviram alguém gritar, mas ninguém (tirando é claro o tio André e Martin), sabiam que havia gritado.
A fuinha parecia mais um foguete a um animal, ao se jogar em cima daquele bolo. Quando atirrizou, foi que todos tiveram a certeza de que era um foguete, um animal normal, não iria fazer bolo voar pelos ares de tal maneira que todos em um raio de um metro fossem cobertos por chocolate.
A única coisa que Martin ouviu foi.
-MARTIIIIIIIIINNNNNNNNN!!!!!!!!!!!
Saindo violentamente da boca de sua mãe.
De noite quando tudo já havia terminado e Martin já tinha limpado a janela suja de chocolate, seu pai chegou. Ele era um homem grande, executivo de respeito.
- Filho, parabéns.
Martin só sorriu, foi direto para a cama, sem falar com ninguém, nem mesmo Turt seu novo amigo bagunceiro.